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A Endura

Poema da Endura.MP3
Poema da Endura

Com toda a família reunida a chorar,
com três mochilas, partiu para o Lá.
Muitas vezes vagou entre o Aqui e o Lá,
sem nunca encontrar o desejado Acolá.

Mediu e mediu distâncias sem fim.
Muitas viagens aproveitou sem saber:
no peito, levava o que iria arder.
Mas andou e andou, sem nunca entender.

Mui cansada de viajar entre o Aqui e o Lá,
na cidade da Meia Noite do Silêncio chegou.
Como ninguém ali falava, a mudez reinava;
pelo Vento que chamava, aguardou.

O Vento, chamado “O Meu Chamado",
nunca chamou; durante éons, então, esperou.
Andou, andou mais, distâncias sem fim;
com os sentidos, não prosperou.

Um dia, deitou sem com os sentidos medir,
então sonhou com o Vento a bramir.
O Vento chamado “O Meu Chamado” apontou:
- Vá, atravesse a Montanha e procure o Sol.

Pela manhã, acordou a se arrastar,
pesavam as Mochilas do Aqui e do Lá.
A Montanha recuava enquanto rastejava;
então, voltou a sonhar - para assim perguntar.

Em sonho profundo, quem perguntou foi o Vento:
- O que procuras, afinal?
- Procuro o Sol - respondeu em lamento.
- Atrás da Montanha, verás o sinal.

Amanheceu sem os sentidos medir,
agora não tendo para onde ir.
As mochilas deixou e, sem os sentidos usar,
Ao centro de si há de chegar.

Sem Vento, sem sentidos, sem Mochilas,
olhou para si: no peito nasceu um Sol a brilhar.
A chama queimava, os pés iluminava;
assim, encontrou o lugar do Acolá.
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